Friday, March 16, 2007

Estratégias gerais para padronizar argumentos

Segue a tradução do Lucas Barbosa Becker das 10 regras para padronização de argumentos, extraídas de GOVIER, Trudy. A Practical Study of Argument (Wadsworth, 1991, pp. 34-35):
  1. Confirme que a passagem com a qual você está lidando contém realmente um argumento. Será um argumento se, e somente se, o autor está tentando sustentar uma posição com afirmações em defesa dela.
  2. Identifique a conclusão principal ou conclusões. Palavras indicadoras podem ajudar. Muitas vezes o contexto é muito útil, particularmente quando uma pessoa discute contra outra. Nesse caso, tipicamente, a conclusão de uma pessoa será a negação da posição da outra.
  3. Identifique aquelas frases que servem de sustentação para a conclusão principal. É de grande ajuda, nesse estágio, olhar as frases e perguntar a si mesmo quais poderiam plausivelmente dar suporte, ou que sejam capazes de dar sustentação à conclusão que você identificou.
  4. Omita qualquer material que serve apenas para informação secundária -- por exemplo: notas introdutórias ou editoriais.
  5. Omita qualquer material que você já tenha incluído. Essa instrução se aplica quando a mesma premissa ou conclusão é expressa diversas vezes, com palavras levemente diferentes. Se isso acontecer quando essa mudança de palavras indica primeiro uma premissa e depois uma conclusão, coloque as duas proposições na sua forma padrão (como veremos mais adiante, essa situação significa que há uma séria falha no argumento). De outra forma, não repita a proposição.
  6. Omita expressões pessoais como "eu pensei por muito tempo", "na minha humilde opinião" e assim por diante. Isso não faz parte do conteúdo do argumento, mas são indicadores estilísticos da direção do autor.
  7. Numere cada premissa e conclusão, e escreva o argumento na forma padrão com as premissas acima da conclusão.
  8. Confira se cada premissa e conclusão possui uma proposição independente. Isso significa que premissas e conclusões não devem incluir pronomes como "ele", "meu" e "isso". Apesar disso, os substantivos apropriados devem ser usados. As premissas e conclusões devem estar em forma de afirmações, não de questões, comandos ou exclamações.
  9. Confira se nenhuma premissa ou conclusão expressa ela mesma um argumento inteiro. Por exemplo, se uma premissa diz "John mentiu antes, então ele não é confiável", você precisa separar essa premissa em (1) John mentiu antes e (2) John não é confiável. Na estrutura, (1) dá sustentação para (2) em um subargumento. O subargumento não é mostrado quando você escreve "John mentiu antes, então ele não é confiável" como uma única premissa.
  10. Confira sua versão padronizada com a original e veja se você deixou alguma coisa essencial ou se incluiu algo que não deveria ter sido incluído.

1 comment:

César said...

Muito útil.